
Não me refiro aqui a jardineiro de outrem, suscetível aos caprichos e gostos de terceiros. Falo do jardineiro interior, do jardineiro de mim mesmo, cultivador de minh'alma.
Para tecer os jardins interiores é necessário, acima de tudo, tempo. Tempo e observação. Escolher as melhores flores e folhagens e distribuí-las pelos seus cantos naturais. Verificar o aroma das estações que se anunciam com a regularidade do universo e esperar as consequências vantajosas e cuidadosas de cada uma delas. Examinar, detectar e eliminar as pragas que podem, de um momento para o outro, destruir todo um conteúdo pelo prazer sádico da inveja e da maledicência.
Tarefa árdua essa. Observação plena de variáveis inconstantes. Cuidados cirúrgicos com a delicadeza das tramas de pétalas e folhas. Mas quando tudo está na plenitude dos seus lugares e luzes, quanto brilho!... Quanta recompensa.
Enquanto isso, lá nos ares dos jatos e escritórios suspensos, almas estéreis recriam as receitas de sempre levando-se pateticamente a sério. São decoradas com flores de plástico que, se não morrem, desbotam esvanecendo o falso viço da superficialidade e do artificialismo.
Não são jardineiros, mas sim espantalhos de si mesmos.
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